Alejandro
Macarrón e José Fabián Plaza
Apresentamos
neste artigo as principais características do sistema
celular sem fio LMDS (Local Multipoint Distribution System),
que está se configurando como uma autêntica alternativa
ou um grande complemento aos sistemas de cabeamento com fibra
ótica e cabo coaxial. Destinado a substituir, futuramente
a atual "infraestrutura nacional de informações".
Conforme apresentamos neste artigo, o LMDS poderia constituir
a espinha dorsal de uma parte essencial (o acesso) na já
tópica infraestrutura nacional de informações.
Devido ao meio de transmissão utilizado pelo LMDS (o
ar), tomamos a liberdade de criar um neologismo ad-hoc para
descrever o benefício que trazer esta tecnologia: as
informações via ar.
 |
A
necessidade de una regulamentação adequada
que garantisse a disponibilidade de serviços interativos,
a canalização das bandas de frequências
para estes fins, evitando ações incontroladas
com o único objetivo da TV, e as grandes possibilidades
de I+D nos sistemas de gestão de rede, interatividade,
telefonia e serviços de banda larga, são razões
suficientes para tentar esclarecer, toda esta tecnologia. |
Em que consiste o LMDS
O LMDS (Local Multipoint Distribution System) é um sistema
de comunicação de ponto a multiponto que utiliza
ondas radioelétricas a altas frequências, em torno
de 28 ou 40 GHz1, nas bandas já existentes de frequência
de aproximadamente 2 GHz com atenuação mínima
(conhecidas como "janelas espectrais") ante os agentes
atmosféricos. Dada a banda larga disponível, o
LMDS pode ser o suporte de uma grande variedade de serviços
simultâneos: televisão multicanal (difusão,
PPV, vídeo on demand), telefonia, dados, serviços
interativos multimídia (tele-educação,
telemedicina, acesso à Internet em banda larga, etc.).
O território a cobrir se divide em células de
vários quilômetros de raio (3-9 Km na banda de
28 GHz, 1-3 Km na banda de 40 GHz). O assinante recebe o sinal
por três vias: do emissor principal da célula,
se existe visibilidade direta entre este e o receptor; de um
repetidor, em zonas de sombra; por um raio refletido em uma
superfície plana (paredes de edifícios, refletores
/ repetidores passivos, etc.). A antena receptora pode ser de
dimensões muito reduzidas - antenas planas de 16 x 16
cm- com capacidade de emissão em banda larga - sinal
de TV ou dados a alta velocidade - ou estreita -telefonia ou
dados de baixa velocidade.
Fatores chaves de viabilidade técnica do sistema LMDS
Até
poucos anos, acreditava-se que as frequências tão
altas utilizadas em LMDS não permitiriam oferecer de
forma viável um serviço em grande escala (de massa).
A razão principal que se alegava era a diminuição
do sinal devido a chuva, e às altas potências de
emissões necessárias atingir um certo alcance
do sinal, o que tornaria inviável economicamente a utilização
destas frequências como apoio a um serviço para
a população em geral, dada a dificuldade / custo
para emitir e receber o sinal com a qualidade adequada. Sem
dúvida, o LMDS conseguiu superar estas dificuldades,
principalmente na banda de 28 GHz, como provam, há anos,
os sistemas em operação comercial existentes,
dentre os quais se destacam os da CellularVision na cidade de
Nova York e em 40 GHz, Philips (em pilotos experimentais). As
principais chaves técnicas do sistema são três:
o teorema de Shannon da equivalência entre a banda larga
e potência, a recepção de haces muito finas
com polarização estável, e a reutilização
de frequências.
Por
sua maior maturidade tecnológica, e suas superiores características
técnicas, nos referiremos em general neste artigo ao
LMDS na frequência de 28 GHz.
Pelo teorema de Shannon da equivalência exponencial entre
potência e banda larga, duplicando-se a largura da banda
utilizada, somente é necessário emitir a raiz
quadrada da potência para ter a mesma relação
sinal / ruído na recepção. Em baixas frequências,
o espectro é um recurso particularmente escasso que foi
sendo saturado a medida que têm surgido novos serviços
de telecomunicação, e pelo qual tínhamos
de recorrer a emissões de alta potência para compensar
a limitação da banda larga. É similar ao
que acontece com uma casa com muito ruído de fundo: Falamos
mais alto para aumentar a relação sinal / ruído
e então entendemos. Problema é quando a casa está
"saturada" e todo mundo tem de falara alto ao mesmo
tempo, até que chega o momento em que não conseguimos
entender os interlocutores. No LMDS se utiliza a tática
contrária: como a banda larga espectral é um recurso
menos escasso (se dispõe de 1 , 2 ou 3 GHz), se utilizam
sistemas de modulação em banda larga para transmitir
o sinal (por exemplo, modulação FM). Isto permite
utilizar potências muito mais baixas que em sistemas como
a TV convencional ou o MMDS (Multipoint Multichannel Distribution
System, que dispõe de "somente" 200 MHz de
banda larga), que utilizam modulação AM.
Assim
por exemplo, em Nova York se transmite 49 canais analógicos
de TV, aos quais se adicionou recentemente, para demonstração,
175 canais digitais utilizando polarização oposta,
transmitidos todos eles de forma simultânea. Para ele,
se utilizam potências de transmissão tão
baixas (20-30 watts) no transmissor principal e de aproximadamente
100 mw nos repetidores. Por sua parte, os canais telefônicos
necessitam menos de 1 mw, frente aos centos de miliwatts ou
os vários watts que irradia um telefone móvel
convencional. Alem disso, a qualidade do sinal recebido é
excelente, muito superior ao da TV convencional durante pelo
menos 99,9% do tempo de transmissão (os sistemas se desenvolvem
para que menos de 0,1% do tempo a qualidade da imagen seja de
"convencional" a "inferior"), frente aos
99,7% de tempo garantido pelos sistemas de TV satélite
em DBS, que já oferecem melhor qualidade que a TV aberta.
Esta economia de potência na transmissão e recepção
permite utilizar equipamentos menores e mais baratos, e ainda
transforma o LMDS em um sistema "verde", já
que sua contribuição à crescente poluição
electromagnética é mínima, e ainda minimiza
o possível efeito pernicioso para a saúde dos
habitantes vizinhos aos transmissores: operadores do sistema
no centro transmissor, vizinhos de edifícios com repetidores,
e pessoas em suas residências e empresas que utilizem
serviços bidirecionais com LMDS. As outras duas caracterísitcas
do sistema são a recepção sinais muito
baixos e com polarização estável, e a reutilização
de frequências. Emitindo um sinal com polarização
muito estável, e captando somente o sinal maior potência
recibido pela antena (detectação de sinais muito
estreitos, com discriminação de polarização),
se excluem as contribuições secundarias de sinal
procedentes de múltiplas reflexões, o que suprime
interferências e imagens "fantasma". Alem disso
proporciona mais segurança em relação a
chuva. Por último, utilizando simultaneamente polarização
oposta e desenvolvimento das frequências centrais por
canal, tanto para difusão em células adjacentes
como para canais de retorno de banda larga na própria
célula, se consegue duplicar o efetivo do sistema de
banda larga, o que em LMDS em 28 GHz não é necessário
alternar frequências entre células adjacentes,
algo imprescindível em outros sistemas celulares, com
o consequente economia deste recurso natural escasso e de crescente
valor.
LMDS: Depois das Informações via cabo, as informações
via ar
Principais
vantagens do sistema LMDS comparados ao cabo e ao MMDS
O
sistema LMDS permite oferecer, com grande confiabilidade e qualidade
de sinal, praticamente os mesmos serviços que as redes
de fibra óptica e cabo coaxial. É através
desse que se pode denominar a esta tecnologia como "vias
aéreas da informação (ou sistema de informações
via ar)".
Como
no LMDS não é necessário cabear, as grandes
vantagens potenciais do sistema saltam a vista:
* Pode-se oferecer o serviço e gerar receitas muito antes
em toda a área de cobertura (de 6 a 18 meses, frente
a 5-7 anos para completar uma rede de cabo).
* Pode-se oferecer o serviço de forma economicamente
viável, se não a 100% da população
, mas a grande parte da mesma (principalmente aquela que está
dispersa) que em nenhum caso se pode oferecer serviço
via cabo de forma rentável (é de se decidir, que
ou não lhes chegariam através da rede terrestre
de informações atual ou o custo adicional necessário
seria pago pelos órgãos do Poder Público,
ou então seriam pagos pela parte da população
que já assina serviços via cabo ).
* Por último, não menos importante, o operador
com LMDS teria custos reduzidos para manter e operar a planta,
já que não há uma rede a ser mantida (somente
uns poucos repetidores por célula).
Outra possibilidade menos radical que a de substituir o cabo
por LMDS, e possivelmente a mais adequada para a Espanha, consistiria
em utilizar esta tecnologia desde o princípio, enquanto
se vai cabeando, de forma que se daria serviço muito
antes à população e se geraria recursos
que permitiriam auto financiar a construção da
rede de cabo. À medida que se fosse completando a mesma,
poder-se ir substituindo a conexão de LMDS pela rede
de cabo.
Por
último, comparando o LMDS com o MMDS, sendo que com esse
último tem um maior alcance e o mesmo não sofre
com a interferência da chuva , mesmo tendo uma largura
de banda menor (somente 200 MHz frente a 1 GHz do LMDS), a necessidade
de visibilidade direta entre emissor e receptor com MMDS (o
que no LMDS não é em muitos casos necessário
por causa das reflexões de sinal de microondas em obstáculos
naturais), e a dificuldade no MMDS para reutilizar frequências
entre células adjacentes - que é possível
com o LMDS - tornam o LMDS tecnologia muito mais atrativa para
a provisão de serviços de telecomunicações
interativos e de banda larga.
Questões
em aberto na Espanha e possíveis soluções
Na
Espanha, a Lei de Telecomunicações por Cabo contempla
a possibilidade de utilização de sistemas radioelétricos
(o "Cabo sem Fio"), de forma transitória ou
permanente, nas áreas onde não é rentável
cabear devido ao "nível de dispersão da população,
a topografía do terreno, etc.". Sem qualquer obstáculo,
os elaboradores de Regulamento Técnico conhecidos são
muito restritivos com relação a esta tecnologia:
"pode-se utilizar sistemas de distribução
multicanal ponto multiponto por microondas nas seguintes circunstâncias:
transitoriamente, durante um prazo máximo de sete anos
desde a adjudicação da concessão, em municípios
cuja população não supere os 3.000 habitantes;
permanentemente, nos municípios cuja população
não supere os mil habitantes".
Faixa
de frequências destinada ao MMDS: a banda de 2,5 a 2,7
GHz , que já tem apresentado certas dificuldades no que
diz respeito ao uso da mesma pelos concessionários.
Em
alguns países europeus tem-se optado pelo uso exclusivo
da banda de 40 GHz, pensamos que é um erro, já
que é uma banda claramente inferior à de 28 GHz
(em 40 GHz existe uma maior dificuldade a vencer na emissão
e propagação de sinal, e a tecnologia disponível
está muito menos desenvolvida), questão que está
sendo revisada por estes países.
O
que provavelmente tem mais sentido na Espanha é designar
ambas as faixas para o LMDS, e que o mercado eleja a mais adequada
delas, para utilizá-la de forma imediata, e para desenvolver
tecnologias e serviços do futuro. Dito isso, a postura
de optar por uma faixa exclusiva para o LMDS por uma banda intrínsecamente
pior (40 GHz), nos recorda os problemas nas alternativas inferiores,
como já sucedeu com a aposta européia e japonesa
pela TV de Alta Definição analógica, quando
a tecnologia já estava em plena era digital, pelo que
não seria de se estranhar que a postura atual da maioria
dos países europeus foi de retificar a ação
efetuada na TVAD. Esperamos que desta vez o erro não
se repita, como na TVAD, um erro previsto de recursos investidos
na alternativa "mala", e em todo caso, se outros países
europeus quiserem equivocar-se, esperamos que na Espanha sejamos
suficientemente inteligentes para tomar-lhes a dianteira neste
campo, já que seu erro nos oferece uma oportunidade de
liderança como país a nível europeu , em
que poucas vezes gozamos desse tipo de oportunidade no campo
chave das telecomunicações.
No
resto do mundo se está apostando na banda de 28 GHz para
o LMDS. Os Estados Unidos, faz uma forte pressão para
que os operadores de satélite optem pela banda de 28
GHz (27,5 GHz a 30 GHz), e os muito menos acautelados partidários
do LMDS a 28 GHz, se optou por una solução quase
"salomônica": outorgar 1 GHz ao LMDS e o resto
da banda para os serviços por satélite. No Canadá,
optou-se por conceder 3 GHz de largura de banda (de 25,35 a
28,35 GHz) ao LMDS, deixando o resto da banda para aplicações
de satélite e outros usos.
Para
ambas as questões, a permissão de utilizar o cabo
celular, e a designação de faixas de frequências,
e considerando todos os interesses legítimos em jogo
(decidir, os favoráveis ao cabo e ao satélite),
o legislador na Espanha tem uma oportunidade de demonstrar amplitude
de alvos permitindo o uso do LMDS desde o princípio em
todo o território nacional, portanto obrigando a cabear
zonas urbanas e designando as duas bandas (28 e 40 ao LMDS).
Assim, as vias de informações por meio terrestre
(via cabo) e aérea (via ar) coexistirão para o
beneficio de todos.
Serviços em LMDS
(Local Multipoint Distribution System)
SERVIÇOS NA
ATUALIDADE
* 49 Canais analógicos de
TV,
podendo inserir
programação distinta por
célula
SERVIÇOS SIMULTÂNEOS NO FUTURO
IMEDIATO
* +100 Canais digitais de TV, e "Near Video
On Demand"
* 10.000-20.000 conversações telefônicas
por célula de 4 - 9 Km de raio
* Linhas RDSI #F3F3F3
* Linhas de dados de alta velocidade
* Videoconferência
SERVIÇO PLENAMENTE COMPARÁVEL COM O DE TV A CABO
(Utiliza 1 GHz de largura de banda para todos os serviços,
inclusive mais que o previsto
para o cabo)
Conclusões
O LMDS é uma excelente
alternativa/complemento
ao cabo:
Prestação de serviço
praticamente
equivalente
Investimento mais baixo e
menores custos de
manutenção
Retorno de investimento
muito mais rápido
O LMDS é a única tecnologia
bidirecional de largura de banda
viável economicamente nas
áreas de baixa densidade
populacional
O LMDS pode ser a base das
"vias aéreas da informação (via ar)"
Soluções Possíveis (regulatórias
)
Soluções Possíveis:
Autorização sem restrição para o
LMDS, que decidiriam com critérios de mercado que tecnologias
utilizar.
- Economia de investimento no cabeamento de áreas pouco
povoadas e em
manutenção de redes (inexistentes nas zonas com
serviço exclusivo de LMDS), e isso lhes permitiria gerar
recursos desde o "primeiro dia", auto financiando-se
parcialmente a rede de cabo
com os recursos procedentes do LMDS.
- Permitiria oferecer serviço de forma rentável
a 80% da população espanhola em 2-3 anos,
acelerando a chegada das "vias terrestres de informação
(cabo)".
- Permitiria oferecer serviço universal de banda larga
a um custo mínimo, aguardando o desenvolvimento do cabo,
ou não haverá nunca "vias terrestres de informações
(via cabo)" em áreas pouco povoadas, ou chegarão
a custos de enormes perdas para o operador ou de quantias subvencionadas
pelo Poder Público .
- Obrigação de oferecer serviços interativos.
Solução para o espectro:
- Designar as faixas de 28 e 40 GHz
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